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Presidente da Fiergs afirma que indústria deve intensificar demissões a partir de agosto

18 de julho de 2014
Recebendo os jornalistas para uma entrevista coletiva, nesta sexta-feira (18), o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, afirmou que o setor industrial deve intensificar a demissão de empregados a partir do próximo mês, influenciado pelo desaquecimento da economia e pela crise vivida pela Argentina. "O pessoal já está segurando desde abril, maio, junho, julho, esperando terminar a Copa do Mundo para ver se (o Mundial) estava influenciando negativamente. Mas até agora realmente (não está melhorando)", disse. Segundo ele, o otimismo do empresariado local está em baixa, os investimentos estão praticamente parados e os novos projetos podem ser "contados na ponta dos dedos". Os indicadores recentes mostram que o emprego industrial já está recuando no Rio Grande do Sul em taxas acima da média nacional. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em junho foram eliminados 4.866 empregos no Rio Grande do Sul, o equivalente a uma redução de 0,18% em relação ao estoque de assalariados com carteira assinada do mês anterior. A indústria de transformação registrou o maior saldo negativo, de 3.533 postos. Müller disse que o Estado é especialmente vulnerável à crise argentina, por causa da proximidade geográfica e do extenso comércio com o país vizinho, hoje enfraquecido. "As exportações já vêm diminuindo nos últimos anos", explicou. Segundo ele, a dificuldade do governo argentino em fechar um acordo com os credores que não aceitaram a reestruturação da dívida soberana - o que coloca o país próximo de um calote - prejudica ainda mais a situação das indústrias gaúchas. "Isso aumentou (a vulnerabilidade), e se houver um default total da Argentina nós teremos um problema maior ainda", afirmou. Müller conta que há cerca de três meses recomendou que as empresas não se expusessem demais ao mercado argentino e procurassem outros parceiros comerciais. "Se ocorrer de fato o problema que está se avizinhando (default), muita gente aqui não vai receber. Consequentemente, vai diminuir a produção e o emprego industrial", avaliou. O presidente da Fiergs criticou a estagnação nas negociações para um acordo bilateral entre Mercosul e União Europeia. "Não está saindo por imposição da Argentina, que não quer. Como as decisões (no Mercosul) são tomadas por unanimidade, não está saindo", falou. "Além de todos os problemas que a Argentina nos causa no comércio bilateral, está nos causando problemas também na busca por novos mercados." Ele acredita que um agravamento da situação econômica argentina atingiria principalmente os segmentos de móveis, couros e calçados e máquinas e implementos agrícolas, que destinam boa parte da produção à nação vizinha.  Müller será empossado hoje à noite para seu segundo mandato à frente da Fiergs. A cerimônia terá a presença da presidente Dilma Rousseff, além do governador Tarso Genro e de outras autoridades. Fiergs espera medidas impopulares após eleições O presidente da Fiergs afirmou, ainda, na coletiva desta sexta que o setor aguarda para depois das eleições uma série de medidas "impopulares" para impulsionar a economia e favorecer a competitividade brasileira. "A nossa indústria não cresce desde 2007 praticamente", disse. "É urgente, portanto, que se mexa na questão da economia brasileira, que teve um momento muito bom no passado recente, numa aposta de beneficiar o consumo. Só que aparentemente hoje já não faz tanto efeito." Ele citou o aumento do preço dos combustíveis como uma ação impopular, mas necessária. "A nossa Petrobras está com muita dificuldade, e isso não é bom. Ela precisa de um realinhamento (de preços) meio urgente", disse. Müller interrompeu duas vezes a entrevista para atender ligações da equipe do Palácio do Planalto, que estava reorganizando a agenda de Dilma no Rio Grande do Sul. A programação original previa uma agenda em Uruguaiana hoje à tarde, para sobrevoar locais atingidos pelas chuvas, mas o compromisso foi transferido para sábado. A participação no evento da Fiergs foi mantida. O presidente da entidade evitou responder se faria algum pedido especial do setor à presidente na noite de hoje, mas se queixou da intervenção do governo federal na economia. "Acho que qualquer interferência é demais", disse. Ele criticou especialmente a falta de previsibilidade para os empresários. "Nossa questão (no Brasil) é que as intervenções são muito de curto prazo sempre. Para a indústria isso é ruim. Quando você começa a investir, aquilo que está valendo cai. Precisamos de modelos mais perenes", afirmou. Segundo ele, buscar a melhora do ambiente de negócios estará entre as prioridades de sua nova gestão, assim como a simplificação do sistema tributário brasileiro e o aumento da produtividade. A redução da taxa de juros também está na lista, algo que, segundo ele, deve ocorrer já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na última quarta-feira decidiu manter a Selic inalterada em 11% ao ano. Fonte: Jornal do Comércio 
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