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Indústria do RS fecha uma década de baixo crescimento

17 de dezembro de 2013
Em 2013, o Rio Grande do Sul completa uma década em que a produção industrial se expande menos do que as vendas no comércio brasileiro. Desde 2004, a indústria local cresceu apenas 6,3%, enquanto o comércio nacional avançou 89%. Isso revela uma situação preocupante: a indústria gaúcha não consegue aumentar a produção no mesmo ritmo do crescimento do mercado consumidor e os importados vêm substituindo os manufaturados locais. Além desse problema, há um outro agravante, pois é o sétimo ano consecutivo em que o saldo comercial de produtos manufaturados fecha deficitário no País. De janeiro a outubro, as importações desses bens superaram as exportações em US$ 107 bilhões, ultrapassando o total dos 12 meses de 2012, em que este diferencial foi de US$ 94 bilhões. "O crescimento da economia no Estado é apenas estatístico", afirma o presidente da entidade, Heitor José Müller. Este cenário foi apresentado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do SuI (FIERGS), nesta terça-feira (10), durante o Balanço 2013 e Perspectivas 2014.De acordo com a FIERGS, 2013 se encerra com grande desconfiança quanto à capacidade da economia brasileira de acompanhar o ritmo de crescimento no resto do mundo. O Brasil deverá fechar o ano com uma elevação de 2,2% em seu PIB (em 2012, foi de 1,03%), inferior à média dos países emergentes, que chegará a 4,5%. No Rio Grande do Sul, o aumento do Produto Interno Bruto previsto é de 5,1%, mas diante de uma base de comparação baixa, que foi a queda de 1,8% no ano passado. "A indústria gaúcha vem andando de lado há bastante tempo, o crescimento médio nos últimos dois anos foi de apenas 1,6%", enfatiza Müller.Tanto na indústria brasileira quanto na gaúcha, houve apenas uma recomposição de perdas acumuladas de anos anteriores, reação ao período recessivo que predominou em 2012. O presidente da FIERGS apontou os três principais fatores que colaboram para o baixo desempenho da indústria no RS: as barreiras argentinas para os produtos gaúchos, o Piso Regional no Estado e o Imposto de Fronteira. "A inflação subiu 22% até agora durante o governo Tarso, mas o piso deverá aumentar 58,8% caso a Assembleia Legislativa aprove o índice proposto. É difícil manter a competitividade com este encargo", lamenta.Nos últimos três anos, o crescimento brasileiro fechará, em média, 2% ao ano, resultado inferior ao alcançado nos dez anos anteriores, quando o País avançou, também em média, 3,6%. O setor industrial sofre as consequências da ausência de ações mais efetivas voltadas à superação dos obstáculos estruturais que restringem a competitividade perante seus concorrentes internacionais, aponta a FIERGS. É improvável que o desempenho da indústria surpreenda positivamente nos próximos anos.A perspectiva para 2014 aponta para uma aceleração no nível da atividade mundial, com aumento na contribuição das economias desenvolvidas, enquanto os países emergentes devem apresentar expansão moderada. O cenário para o próximo ano é de crescimento inferior ao de 2013, com 1,9% para o PIB brasileiro e 2,1% para o gaúcho. A principal causa para isso, segundo o presidente da FIERGS, é que não foram criadas as bases para que o crescimento econômico fosse sustentado no futuro. A resolução dos gargalos da infraestrutura, a evolução na qualidade da educação e as reformas visando à melhoria no ambiente de negócios avançaram em velocidade inferior à necessária para gerar um novo ciclo de prosperidade. Fonte: FIERGS
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