O período de final de ano, especialmente pela proximidade do Natal, é o principal responsável pela criação de vagas de emprego temporárias. Com a intensa movimentação das empresas em busca de mão de obra, jovens podem ingressar no mercado de trabalho enquanto profissionais mais experientes têm a oportunidade de retornar à atividade. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) indica uma oferta de 155 mil postos em todo o Brasil - crescimento de 5% em relação ao ano passado. Desse total, o Rio Grande do Sul representa 6,19%, sendo o quarto colocado, atrás de São Paulo (29%), Minas Gerais (10%) e Rio de Janeiro (9%). Os números são referentes aos setores que comumente contratam nesta época: comércio e serviços (75%) e indústria (25%). A demanda, entretanto, não está em sintonia com a oferta de profissionais. As companhias encontram dificuldades na hora de contratar devido à escassez de mão de obra no mercado brasileiro. Além disso, segundo os empresários, a baixa qualificação dificulta ainda mais o processo de contratação. “O problema passa por todo processo da empregabilidade no País. É preciso que, tanto o governo quanto a iniciativa privada, busquem uma saída para minimizar um pouco essa situação. Há necessidade de fazer um trabalho muito mais efetivo para qualificar essas pessoas”, defende a presidente da Asserttem, Jismália de Oliveira Alves. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a situação preocupa principalmente o comércio. De acordo com o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Vítor Koch, o setor projeta 16 mil contratações em todo o Estado. Não há garantia, entretanto, de que as vagas serão preenchidas. “A expectativa de vendas para o Natal está muito positiva. Mas estamos com certo receio de não encontrarmos profissionais suficientes. Realmente, está complicado, pois a massa salarial cresceu bastante e há pouca mão de obra ociosa”, lamenta Koch. Márcia Amarante, gerente da loja Barriga Verde, na Capital, está com três postos de serviço disponíveis. Ela iniciou o processo de seleção no final de agosto, mas ainda não contratou ninguém. A exigência de escolaridade é de Ensino Médio completo. “A oferta é grande, e as empresas estão com as portas abertas, mas a contratação de temporários está bem difícil. O horário extenso do comércio afasta alguns candidatos, e a falta de qualificação também dificulta. Outros candidatos falam e escrevem muito mal, o que para atendimento ao público diminui as chances de contratação. Mais gerentes da nossa rede relatam as mesmas dificuldades”. Diante de um quadro de trabalhadores pouco preparados, a saída encontrada por algumas empresas tem sido oferecer treinamento aos recém-admitidos. O presidente da AST Facilities, empresa especializada na administração de temporários, Flávio Nascente dos Santos, defende essa prática. “O empresário precisa entender que a empresa é uma escola viva de desenvolvimento das pessoas. Alguns entendem que é papel do governo formar ou que ele tem que encontrar pessoas prontas. Pelo contrário, é preciso desenvolver as pessoas que você quer trabalhando para ti. A empresa tem que formar”, diz. No comércio, quando os contratos são habitualmente de 30 dias renováveis por mais 60, o primeiro mês costuma ser usado para orientar o funcionário, explica Koch. “Existe uma preocupação na questão de profissionalização do varejo. A preparação é realizada para que, quando chegar o ápice das vendas, em dezembro, o funcionário já tenha um conhecimento básico para trabalhar.” A boa interação entre funcionários e contratantes pode, inclusive, resultar na efetivação após o término do contrato temporário. O levantamento da Asserttem aponta para essa possibilidade em 15% do total de vagas no Brasil, o que representaria cerca de 23 mil novos empregos definitivos. No Rio Grande do Sul, das 16 mil previstas pela FCDL, a entidade aposta na manutenção do trabalhador em cerca 30% dos casos. Já uma pesquisa da Fecomércio, divulgada na semana passada, mostrou que 50% possuem chance de estabelecer vínculo definitivo.
É o caso da Barriga Verde, em Porto Alegre. O estabelecimento pretende efetivar os três temporários que forem contratados neste final de ano. “A loja está em crescimento e, por isso, estamos atrás de profissionais constantemente. Além disso, é complicado treinar e sair. Isso gera desgaste”, afirma Márcia.
Experiência temporária eleva a empregabilidade:
Experiência não é pré-requisito para preencher as vagas temporárias. Pelo contrário, elas podem ser a grande oportunidade para jovens ingressarem no mercado de trabalho. Segundo pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem), 20% das 155 mil vagas abertas nos últimos meses deste ano serão ocupadas por pessoas em situação de primeiro emprego. Deise Corvello da Cunha tem 18 anos. Sua primeira experiência profissional ocorreu no ano passado, quando foi contratada como temporária na loja Barriga Verde. Ao saber da vaga para serviços gerais, se apresentou no estabelecimento. A gerente Márcia Amarante realizou uma entrevista e constatou que Deise não tinha o perfil da vaga. Mesmo assim, por sua desenvoltura, acabou sendo alocada no estoque. Depois dos três meses de contrato, estabelecidos por lei, a jovem foi efetivada e passou a trabalhar no caixa. No início, foi acompanhada por Márcia nos seus afazeres, sendo constantemente orientada. O que, de acordo com Deise, colaborou no seu crescimento profissional. “Nesse período, aprendi muitas coisas. Eu achava que estava nervosa, não sabia por onde começar. Mas ela me explicou tudo que eu precisava fazer e foi muito tranquilo. Como caixa, aprendi a lidar com os clientes, sempre sendo acompanhada quando precisava”, conta. Mas não são somente os jovens que podem se beneficiar das vagas temporárias. Profissionais mais rodados que se encontram fora do mercado também têm a chance de ocupá-las. “O trabalho temporário traz essa oportunidade da inserção para os dois lados. É necessário o desenvolvimento de políticas de qualificação, tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada, que abram o mercado para os jovens. Assim como há uma tendência de retorno das pessoas mais experientes”, afirma a presidente da Asserttem, Jismália de Oliveira Alves. Além disso, Jismália destaca que as pessoas que passam por esse tipo de trabalho aumentam suas chances de empregabilidade posterior. Ou seja, mesmo que não sejam efetivados na sua função após o término do contrato, quando buscarem outras empresas, esses profissionais terão mais possibilidades de conseguir um novo serviço.
Fonte: Jornal do Comércio
