Fórum Conecta Bento debate Indústria 5.0, inteligência artificial e transformação dos processos industriais
Sexta-Feira, 11 de setembro de 2026
Edição especial integrou as comemorações dos 50 anos do SIMMME e reuniu especialistas e lideranças para discutir os novos caminhos da tecnologia e da competitividade industrial
Automação, robótica, inteligência artificial, digitalização e, principalmente, a evolução para uma indústria cada vez mais conectada às pessoas e às decisões estratégicas. Esses foram alguns dos temas que marcaram o Fórum Conecta Bento 2026, realizado no dia 10 de setembro, no Centro Empresarial de Bento Gonçalves.
Com o conceito “Do metal ao digital 5.0”, a edição especial integrou as comemorações dos 50 anos do SIMMME – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Bento Gonçalves, reunindo empresários, gestores e profissionais da indústria para uma tarde de conhecimento, experiências e troca sobre as transformações que já impactam o setor.
Realizado por Bento+20, Inova Bento e CIC-BG, com correalização do SIMMME e apoio da MOVERGS, o encontro trouxe diferentes perspectivas sobre o avanço tecnológico, combinando tendências, soluções disponíveis e experiências práticas de empresas.
Da digitalização à Indústria 5.0
O primeiro bloco, Tecnologia Industrial, apresentou uma visão sobre os movimentos que estão redefinindo os processos produtivos.
Alberto Bordonaba, CEO da KUKA Robotics do Brasil, abordou a evolução da robótica e o avanço de sistemas cada vez mais autônomos, inteligentes e integrados, apresentando os impactos da chamada Robótica 2.0 sobre produtividade, eficiência e inovação na indústria.
Mayron Rodrigues da Silva, gerente de Vendas da Siemens, trouxe aplicações práticas da inteligência artificial e mostrou como a integração entre dados, processos e tecnologia pode contribuir para decisões mais estratégicas e para o aumento da eficiência operacional.
Já José Velloso Dias Cardoso, presidente executivo da ABIMAQ e do SINDIMAQ, levou ao Fórum uma reflexão sobre a transição da Indústria 4.0 para a Indústria 5.0.
Enquanto a Indústria 4.0 teve como pilares a automação, conectividade, Big Data, inteligência artificial, eficiência e digitalização dos processos, a Indústria 5.0 amplia essa visão ao colocar pessoas, propósito, sustentabilidade e resiliência no centro da transformação.
Em sua apresentação, Velloso sintetizou a mudança ao destacar que “a Indústria 4.0 digitaliza; a Indústria 5.0 orquestra”. Mais do que substituir tecnologias, a evolução passa por mudar o propósito e o modelo de decisão das empresas.
Entre os pontos apresentados estiveram a colaboração entre homem e máquina, tecnologias orientadas às pessoas, uso de dados para melhores decisões humanas, inteligência artificial responsável e centrada no ser humano, além da busca conjunta por eficiência e sustentabilidade.
A Indústria 5.0, portanto, amplia o olhar sobre produtividade: além do resultado econômico, considera também valor social e ambiental, produção inteligente, sustentável e resiliente e transformação tecnológica com propósito.
Tecnologia aplicada aos desafios reais das empresas
O segundo bloco, Tecnologia na Prática, aproximou a discussão da realidade das organizações, apresentando experiências, desafios e aprendizados relacionados à implementação das novas tecnologias.
Fábio Fortunati, gerente de Tecnologia da Caderode, abordou um dos principais desafios da adoção da inteligência artificial nas empresas: avançar em inovação mantendo governança, segurança da informação e controle sobre dados e processos.
A discussão mostrou que incorporar IA às organizações exige ir além da escolha de ferramentas. É necessário estabelecer critérios, responsabilidades e processos que permitam utilizar a tecnologia de maneira segura e estratégica.
Rafael Brufatto Vagliatti, gerente Técnico da Tramontina Cutelaria, compartilhou a experiência da empresa em sua jornada de automação, robótica e digitalização dos processos produtivos, apresentando desafios e aprendizados encontrados ao longo da implementação.
O case reforçou a importância de conectar a tecnologia às necessidades concretas da operação para alcançar ganhos de eficiência, padronização e melhoria contínua.
Encerrando o bloco, Sérgio Wonczewski, sócio-diretor da WMS Consulting, abordou como inteligência artificial e tecnologias digitais podem ser aplicadas aos processos industriais para gerar produtividade e resultados concretos no chão de fábrica, compartilhando também experiências e aprendizados relacionados à WEG.
Ao longo das apresentações, um ponto esteve presente de diferentes formas: a transformação digital não acontece apenas pela aquisição de tecnologia. Ela depende da capacidade de conectar ferramentas, dados, processos, estratégia e pessoas.
Conteúdo e conexão como serviço para a indústria
Para o SIMMME, participar da construção do Fórum Conecta Bento também representa uma forma de ampliar os serviços oferecidos aos associados e contribuir para o desenvolvimento da indústria metalmecânica de Bento Gonçalves e região.
Ao aproximar as empresas de especialistas, fornecedores globais de tecnologia, cases industriais e discussões que impactam diretamente a competitividade dos negócios, o Sindicato reforça seu papel como articulador de conhecimento, relacionamento e desenvolvimento empresarial.
Mais do que representar institucionalmente o setor, o objetivo é criar oportunidades para que os associados tenham acesso a conteúdos direcionados aos desafios que já fazem parte do cotidiano das empresas.
No ano em que completa 50 anos, o SIMMME reforça, assim, uma trajetória construída junto à indústria e, ao mesmo tempo, direciona o olhar para os próximos movimentos do setor.
Tecnologias mudam, processos evoluem e novos modelos de produção surgem. Mas uma das principais mensagens deixadas pelo Fórum é que o futuro da indústria não será construído apenas por máquinas mais inteligentes.
Será resultado da capacidade de orquestrar tecnologia, pessoas, dados e propósito.
Do metal ao digital 5.0, a transformação continua.






